Conto de Natal
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JOÃO PEQUENO e o pinheiro de Natal
Naquela manhã, as ondas chegavam à praia, devagar, enrolando-se na areia como uma clave de sol no início de uma música, e depois seguiam as linhas da pauta saltitando entre notas de espuma. As gaivotas esvoaçavam ao sabor do vento que entoava, também ele, uma melodia harmoniosa.
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João Pequeno, sonhador incorrigível, olhava o mar seguindo os movimentos do enrolar das ondas, imaginando-as a saltitar nas teclas de um piano numa melodia que desde sempre ouvia no seu imaginário.
- J o ã o P e q u e n o … (chamava o eco), anda brincar!
Entre risos e gargalhadas, salpicos de espuma e de água salgada, João Pequeno dançava ao sabor das ondas e daquela melodia que só ele ouvia!
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As gaivotas estavam à espera para aplaudirem o espectáculo, mas João, acordara de repente com a mensagem que uma delas lhe trouxera. |
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Era quase Natal. O pinhal estava carregado de uma bruma cerrada onde a luz entrava com esforço por entre os ramos, era uma luz mágica que descia do céu, o sinal de que deveria ficar alerta. Neste dia, os homens costumavam arrancar os braços dos pinheiros; os eucaliptos bem tentavam segurá-los, mas os homens continuavam, levavam-nos para dentro de casa e enfeitavam-nos com bolas reluzentes e coloridas iluminadas pela luz de uma lareira acesa. Mas porque é que não trazem os enfeites cá para fora e enfeitam o pinhal? pensava João Pequeno, seria muito mais bonito e os pinheiros continuariam inteiros.
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Numa réstia de esperança, mandou reunir todos os pássaros, queria que fossem mensageiros da sua ideia. Como um exército, os pássaros voaram pelas cidades e as gaivotas pelos mares transmitindo a mensagem, mas os homens não quiseram ouvi-la em nome de uma coisa chamada tradição. |
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Desanimado e sem forças para acudir àquela maldade, pediu ao céu que o ajudasse. Cansado, deixou-se dormir debaixo de um pinheiro a ouvir o mar, e quando acordou as estrelas tinham descido à terra e pousado no cimo dos pinheiros, e a lua tinha-se desfeito em lágrimas que caíram sobre as árvores como bolas de cristal.
Era noite de Natal. |
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ISAURINDA BRISSOS fotografia